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Filtrar ou não filtrar. Eis a questão.


A filtração é um processo físico para remover partículas sólidas ainda presentes no vinho. Assim o produto torna-se límpido ou brilhante.

Para alguns, se a bebida não tem um pouco de depósito ou é levemente turva, não é plena. Outros dizem que a qualidade fica prejudicada quando encontram depósitos no fundo da garrafa.

Porém a filtração tira componentes que podem faltar na evolução os vinhos. Assim, na filosofia da mínima intervenção, a estabilização e a decantação natural acontecem, com o tempo, nos períodos de frio na cantina: outono e inverno. As leveduras e partículas se depositam progressivamente no fundo dos tanques de armazenamento por ação da gravidade. Essa é a decantação estática. Dias frios na cantina aceleram esse processo natural.

A limpidez é importante na avaliação visual, mas é mais importante premiar os aromas e o sabor em boca. Não filtrar é poder manter as características interessantes do vinho. O depósito que se forma naturalmente, no fundo da garrafa, é matéria que pode ajudar na evolução o vinho. O vinho deve ser vivo.

A decisão de não filtrar impacta também na sustentabilidade. Menos gasto de energia, menos gasto de material filtrante, menos gasto em equipamento (filtro), menos gasto de mão de obra, menos gasto de material de limpeza e água. E menos movimentação do vinho.

O vinho não filtrado expressa mais o terroir.

O valor está em transformar a uva em vinho na forma mais pura possível.


Texto: Gilberto Cargnel, enólogo Vinha Solo

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